Quando o mundo era mais ingênuo




As Panteras Jill, Sabrina e Kelly


A Família Walton

O casal milionário, Sr e Srª Hart, de Casal 20

A equipe de Esquadrão Classe A

O misterioso Sr. Roark e seu inseparável assistente, Tatoo
na Ilha da Fantasia

Tom Selleck à frente do elenco de Magnum


Houve uma época, muito muito distante, quando chamávamos SÉRIE de SERIADO. Nessa época feliz da infância e adolescência de uma garota nos anos de 1980, os sonhos eram transportados pelos enlatados (termo pejorativo, criado por críticos às produções gringas) que preenchiam as grades das emissoras no horário nobre da TV. 

Há algum tempo que se discute a qualidade superior da atual produção televisiva sobre o Cinema. The Sopranos (1999 - 2007) parece ter sido um divisor de águas, e é unanimidade quando o assunto é a chamada Era de Ouro da TV. Desde então, Breaking Bad, Mad Men, The Walking Dead, House of Cards, Game of Thrones (e a lista é infindável) se sobrepõem em qualidade ao que é produzido para a tela grande. Salários milionários, prestígio, prêmios e mais prêmios e, claro, uma legião cada vez maior de fãs ardorosos e fanáticos movimentam essa indústria que se reinventa sempre.

Mas desde seus tempos primórdios, ainda em preto e branco, a TV vem produzindo shows (I Love Lucy é um exemplo clássico) que falam diretamente ao público sentado em sua poltrona favorita no conforto de seu lar. As séries sempre ocuparam um lugar de destaque no coração dos telespectadores, que se encantaram primeiro com as produções leves e inocentes (Jeannie é um Gênio), passando por produções mais fantasiosas, ficção científica, policiais, ação e aventura. Nos anos 1990 as séries produzidas para o público teen como Barrados No Baile dominavam a TV e influenciaram produções nacionais, como Malhação.

Durante muito tempo, fazer Cinema era o sonho de todo ator, e TV era considerada arte menor. Algo parecido quando se comparava Literarura com HQ´s. 

No final dos anos 70 e início dos 80, quem ditava moda e estabelecia padrão de beleza feminino era As Panteras. Do corte de cabelo de Farrah Fawcett ao figurino usado pelas três protagonistas, tudo era inspirado no seriado que amealhou milhares de fãs no mundo todo, e que durou de 1976 à 1981.
Outro exemplo de influenciador de costumes, Casal 20 contava a história do casal de milionários que viajava pelo mundo em busca de aventuras. Detetives amadores, eles encarnavam o par perfeito, o ideal de um casamento feliz e harmonioso, daí a expressão casal 20 que adotamos a partir do seriado que estreou em 1979 e permaneceu até 1984.
Tom Selleck experimentou uma fama com Magnum que depois jamais se repetiria. Ele era O Cara. Spielberg pensou nele (e o convidou) para dar vida a Indiana Jones. Hoje somos gratos por ter recusado. A história do Cinema não seria a mesma se Harrison Ford não estivesse à disposição. Empunhando um bigodão sexy, Selleck interpretava um herói de guerra que se transforma em detetive particular quando se muda para o Havaí.
O coronel Hannibal (George Peppard) comandava um grupo de ex-boinas verdes acusados de roubar um banco em Hannoi (eles roubaram mas a mando de seus superiores) e por isso foram perseguidos e chamados de traidores. Viviam em Los Angeles, e se você precisasse provar sua inocência, resgatar um familiar ou amigo, etc, era só entrar em contato com o Esquadrão Classe A. Era um bando de malucos, mas adoráveis. Estreou em 1983 e teve 4 temporadas. No Brasil foi transmitida pelo SBT.
Boa noite, John Boy...Boa noite Mary Ellen. Assim terminavam todos os episódios de A Família Walton, que retratava uma típica família rural dos EUA no início do século XX. O casal John e Olivia Walton viviam numa linda casa na Virgínia com seus sete filhos (John Boy era o primogênito e o narrador das histórias), e os pais de John. Dramas familiares, acontecimentos históricos como a 2ª Guerra Mundial serviam como pano de fundo para as histórias. 
Recentemente a notícia de que A Ilha da Fantasia se transformará em filme, com Peter Dinklage revivendo o personagem Tatoo, fez tremer a peruca de muita gente. Até que ponto um seriado cult (com uma roupagem brega, porém carregado de mistério) poderia ser ressucitado e adaptado aos dias atuais sem perder a essência? E o que as atuais linhas narrativas poderiam contribuir para tornar ainda mais sinistra a premissa de uma ilha paradisíaca onde todos (todos!) os seus desejos são realizados?
Ricardo Montalban, partner de Esther Williams e Cyd Charisse dentre outras beldades nos anos 40 e 50, vivia o misterioso Sr. Roarke, o anfitrião da tal ilha. Ainda vive na lembrança de toda uma geração a frase que ficou eternizada por seu famoso assistente Tatoo, interpretado pelo ator Herve Villechaise:

"O avião! O avião!"

A lista dessas boas lembranças não tem fim: Missão, Impossível, Retrato Falado, Chip´s, Starky & Hutch, O Homem de 6 Milhões de Dólares, Mulher Maravilha, A Dama de Ouro, A Super Máquina, MacGyver... Muito antes da Netflix e de sua nova maneira de ver séries com todos os seus episódios lançados de uma única vez (as famosas maratonas) naquela época levava-se  uma semana para a estréia de cada episódio. Foi um tempo que o relógio não tinha tanta pressa. Aos poucos a TV Globo, que passava a maioria desses seriados, foi dando espaço cada vez maior à sua produção própria de programas, minisséries, e especiais  o que fez reduzir a oferta dos enlatados, até que não restasse quase nenhum. Com o advento da tv por assinatura esse antigo caso de amor pôde ser restabelecido. E aí inaugurou-se uma nova fase, e o nome seriado ficou fora de moda. 














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